2.2.15

Virar à esquerda e enfrentar o levante conservador

Uma ex-ministra, senadora e nova queridinha da mídia tradicional afirmou há alguns dias que "ou o PT muda ou se acaba". Esses dois verbos talvez sejam os mais presentes na história do partido. Nenhum mudou tanto, nenhum esteve tanto tempo sob a suposta ameaça de acabar.

O PT ia acabar quando não votou em Tancredo, ia acabar quando não votou no texto final da nova Constituição, ia acabar quando se opôs ao Plano Real e perdeu a eleição de 1994, ia acabar quando colocou um empresário como candidato a vice-presidente, quando aprovou a reforma da previdência, no mensalão, nos aloprados, nos cartões corporativos, na Petrobrás, no dengue, nas edições de medidas provisórias, na cor do vestido da Dilma na reunião ministerial. A cada capa de jornal viria a tão sonhada bala de prata que ia acabá-lo definitivamente. 

Enquanto isso, o partido venceu as eleições presidenciais pela quarta vez consecutiva, elegeu a maior bancada na Câmara Federal, lidera um projeto que dobrou o número de vagas nas universidades, tirou mais 30 milhões da miséria, levou energia elétrica para as zonas rurais, elevou a economia da 15ª para a 7ª posição no ranking internacional, enfim, colocou o país no rumo das mudanças sociais mesmo com todas as dificuldades que a correlação de forças impõe.

O PT é o único partido que elege todas as suas direções por meio do voto direto de cada filiado, com paridade de gênero e cotas para negros e jovens. Nenhum outro partido tem tanta inserção no movimento social e sindical. 

Ainda assim, o PT pode se dar ao luxo de parar de mudar. Charles Darwin nos ensinou que o mais evoluído não é o maior ou mais forte, mas o que melhor se readapta a novas circunstâncias. E a cada eleição e a cada nova crise, artificial ou não, a realidade que o partido tem que enfrentar é outra. 

Agora não se trata mais de finalmente chegar à Presidência da República, provar que pode governar, mostrar que o projeto pode ser continuado com outro presidente. Nessa etapa o PT terá que se realimentar de outras pautas e não mais dos sucessos desses 12 anos. 

As duas pautas que hoje embalam o partido são a reforma política e a regulação da mídia. Ambas vendidas como grandes soluções. Não são. Melhorar o sistema político é imperativo, mas não resolve os problemas da cultura política brasileira. Regular economicamente a mídia é prática nas democracias mais desenvolvidas, mas não fará com que a esquerda deixe de apanhar na imprensa enquanto não tiver seus próprios meios.

E por mais necessárias que sejam, nenhum das duas consegue dialogar com a sociedade nos setores que o partido tem perdido espaço. É necessária uma agenda que traga para o período não eleitoral a mesma disputa ideológica do último segundo turno.

Não apenas uma pauta ou duas, mas um conjunto de proposição que mostre que 12 anos de Palácio não transformaram o partido nisso que mídia mostra, que ele se readapta para a luta sem mudar de lado. Que a coalizão que sustenta o governo pode ser heterogênea, mas o PT é e continuará um partido de esquerda, sem centrismos.

Um universitário hoje com 20 anos, tinha 8 anos quando Lula subiu a rampa do Planalto. Esses que não viveram ou não se lembram do Brasil pré-Lula acham que ser anti-PT é ser contestador. Contestador é o PT e o partido tem que mostrar isso, ou não terá conseguido se readaptar a esse momento.

O partido deve evitar o imobilismo institucionalizado levantando a bandeira de reformas de base. O que era possível foi feito nesses três governos, mas para ir além é necessário enfrentar as mudanças estruturantes que urgem e não são poucas. A principal delas, na minha opinião: A reforma tributária. Taxar das grandes fortunas, rendas, patrimônios e heranças para desonerar o emprego e a produção, fazendo com que quem tenha mais pague mais, quem tem menos pague menos, e tornando a economia brasileira mais competitiva.

A mudança não é escolher esta ou aquele como candidato em São Paulo, é virar à esquerda, enfrentar o levante conservador que cresce no Brasil e mostrar isso para a sociedade, em especial à juventude.

12.10.14

Sobre favoristismo e alianças

Difícil se fazer entendido quando os brasileiros recusam o uso da razão, mas recorro a essas linhas mal escritas para que o cidadão chapadinhense possa compreender a diferença entre análise e torcida.

Na tribuna da Câmara Municipal e no programa Direto ao Assunto, da rádio Mirante de Chapadinha, agradeci os votos confiados a mim como candidato a deputado federal e, analisando os demais resultados da eleição, cravei: "Belezinha é favorita para a reeleição em 2016".

Infelizmente é assim. Na hora que sai a zerésima da urna a classe política e a imprensa começam logo a pensar na eleição seguinte. E, com base nas votações obtidas em 2014 em Chapadinha, Belezinha tem mais razões para comemorar do que as demais forças políticas do município. Senão, vejamos.

1. Mesmo tendo abandonado seu grupo político no município, Magno Bacelar deu muito voto para Ana do Gás. Sim, e agora? Inelegível e sem governo estadual ele terá como eleger Danúbia Carneiro prefeita?

2. Isaías Fortes (também inelegível, é bom lembrar) é esperto. Apoiou dois nomes da terra para parecer ter mais voto do que realmente tem. Paulo Neto já tinha voto próprio e teve ainda o apoio de vários vereadores e suplentes. Os mais de 8 mil votos não podem ser considerados méritos apenas do "Zazá". Tivesse apoiado sozinho um nome de fora teria chegado a qual votação? Tanto Marcelo Menezes quanto Isamara Pessoa, pretensos candidatos do grupo, sabem que o resultado precisava ser melhor do que foi para mostrar força.

3. O deputado estadual eleito Levi Pontes afirma que não será candidato a prefeito e seu grupo não parece dispor de outro nome competitivo. 

Por outro lado, a prefeita que julgávamos morta politicamente deu mais de 6 mil votos para um candidato desconhecido. "Ah, mas ele tem a máquina e usou dinheiro!". Sim, e ela terá a máquina e usará dinheiro em 2016 também. Aí é que está o alerta que estou tentando fazer e muitas pessoas parecem que não querem entender: Quanto mais a oposição se dividir, melhor para a prefeita que tem a máquina à disposição e dinheiro correndo atrás de gente.

Se a oposição se comportar nas eleições municipais da mesma forma com que se comportou nessa, a reeleição dela é certa. A fogueira de vaidades têm que dar lugar a um projeto comum para a cidade. 


Libertas Quae Sera Tamen

Não apoio, nem apoiarei a prefeita, mas não me cego por paixões políticas. Belezinha foi a grande vencedora das eleições de 2014 em Chapadinha e para 2016 é a favorita sem ter nenhum grande mérito para isso, mas pelos erros da oposição, mais preocupada com o amontoado de projetos pessoais que a formam do que com um projeto melhor para a cidade.

Nota: Da mesma forma que não componho politicamente com a prefeita, não componho com nenhum grupo de oposição que tenha dono. 

E até dia 26 minha preocupação é uma só: Ajudar a reeleger Dilma presidente!

11.6.14

Ou derrotamos o dinheiro ou ele nos derrota


O povo de Chapadinha quis mudança e para isso derrotou com expressiva votação um dos melhores prefeitos que a cidade já teve como consequência do desgaste de quem ele escolheu para lhe suceder. 


Para a tarefa de derrotar Magno Bacelar foi escolhida uma pessoa sobre quem pouco se sabia além do fato de ser milionária, mas nada mais importava. Ela tinha tanto dinheiro, diziam seus partidários, que não precisaria meter a mão nos cofres da prefeitura (como se a corrupção fosse um crime de pobres).

Agora se sabe que, mesmo tendo um patrimônio suficiente para si e para as próximas gerações da sua família, uma das primeiras ações de Belezinha foi colocar suas filhas na folha de pagamento da prefeitura, além de todos os esquemas desvios de recursos públicos que já foram descobertos nos últimos meses e outros tantos que ainda virão à tona.

O pau mandado da prefeita finge que nada vê, desvia a visão da gratificação recebida pela primeira-filha, mas a explicação para essa visão mais curva que a minha que sou vesgo, como eles gostam sempre de lembrar, virá à tona quando o resto da folha de pagamento vir a público. Estamos apenas começando.

Belezinha, contudo, é um mal passageiro. Logo logo voltará à insignificância social e política que tinha antes de prometer dinheiro e emprego a meio mundo de gente para chegar à prefeitura. O que nós precisamos combater não é ela, mas a raiz do problema que faz com que sua administração seja o desastre que é.

Por que um povo tão pobre, quando desejoso por mudança na administração, correu atrás daquela que, sendo a mulher mais rica da cidade, era portanto a mais distante da sua realidade, das suas dificuldades, das suas lutas diárias? 

Ao gastar a fortuna que gastou para se eleger, Belezinha fez o que a maioria que gasta fortunas para se eleger faz. Se sentiu à vontade para descontar a conta da campanha nos cofres públicos. Mas quem desvia para cobrir gastos de campanha, desvia também para enriquecer (ainda mais), para corromper advogados ou quem mais se disponha. 

O discurso fácil do senso comum ataca todos que disputem a política como se todos que participam dela tivessem nas suas índoles a má intenção de se locupletar com recursos públicos, o problema é muito mais complicado do que as lógicas sheherazadianas. É o uso e abuso do poder econômico na política e nas eleições que massacra a democracia e custa incalculáveis prejuízos às verbas públicas.

Depende de nós mudar essa tragédia brasileira. Em 2014 elegeremos deputados, senadores, governadores e presidente da República. Daqui a dois anos, elegeremos um(a) novo(a) prefeito(a). Podemos até nos livrar da atual chefe do Executivo (provavelmente até antes disso), mas se continuarmos a eleger nossos representantes baseados na fortuna que eles têm e no dinheiro que eles distribuem durante a campanha, podem ter certeza, por mais absurdo que possa parecer, que teremos alguém ainda pior que Belezinha nos representando.