21.12.15

“O preparo pessoal não supera a construção coletiva” ou “Sobre a candidatura de Ciro Gomes”

Em contraste com a falta de pulso tantas vezes demonstradas por esse governo, as declarações firmes de Ciro Gomes fazem a militância de esquerda muitas vezes vibrar. Sem o peso da responsabilidade de conduzir o processo, ele está do lado de fora dizendo o que é preciso ser dito por alguém, mesmo que muitas vezes não possa ser colocado em prática o que ele diz. É o comentarista descolado palpitando sobre um time de treinador retranqueiro.

Ciro tem toda a legitimidade para, mais uma vez, tentar se eleger presidente da República. Bem sucedido como prefeito, governador e duas vezes como ministro, conhecedor a fundo do Brasil, sabe dos desafios e é um estudioso das soluções. É uma pessoa preparada para tarefa.

Seus descaminhos partidários demonstram mais a falência do nosso sistema político do que um desvio de conduta pessoal. Seu temperamento impulsivo, tantas vezes apresentado como argumento para veto, foi de grande utilidade em momentos difíceis como a crise do mensalão e a recente tentativa de golpe. Foi inciso e leal, até nas críticas.

O erro que pode lhe causar a terceira derrota é acreditar que sua trajetória, seu preparo e suas demais qualidades pessoais se sobrepõem à construção de um projeto coletivo. Lula não é Lula apenas pela sua voz rouca e sua história de retirante vencedor. Lula se fez líder de um partido estruturado, da maior central sindical do país, de estudantes, de intelectuais da esquerda, dos setores progressistas da Igreja.


Para ser um candidato a presidente competitivo por fora do status quo é preciso ter um alicerce político e social que Ciro não tem e não parece preocupado em ter. Se ele acreditar, como disse em entrevista recente, que a base social do PT está perdida, vai fazer um belo papel na campanha, mas vai perder de novo. E talvez percamos todos.

15.11.15

Por que só Paris?

Por que não se solidarizar também com Mariana-MG? E os universitários cristãos no Quênia mortos pelo mesmo Estado Islâmico? E as centenas de alunas no nordeste da Nigéria mortos pelo Boko Haram? E as crianças palestinas vítimas dos bombardeios israelenses? E os 11 jovens assassinados na periferia de Fortaleza-CE? E os 20 mortos em Osasco e Barueri? E o Raimundo, pedreiro assassinado na porta da minha casa numa tentativa de latrocínio? E o sujeito transtornado em Itu que foi assassinado pela polícia ao tentar se suicidar (!)? E os dois mortos na Pavuna porque o policial confundiu um macaco hidráulico com uma arma?

São tantas tragédias ao redor do mundo que deveríamos, para manter a coerência, nos manter constantemente indignados. Mais do que indignados, precisamos agir para que menos atrocidades aconteçam.

Deveríamos pactuar entre nós que todos tenham direitos fundamentais independente da sua origem, etnia, orientação sexual, gênero, classe social ou qualquer outra forma de discriminação.

Vamos elaborar uma proposta baseada em valores racionais que passem a iluminar a humanidade e que garanta a todos o direito à vida, à propriedade, à liberdade de credo, à liberdade de expressão. Podemos chama-la, talvez, de Declaração dos Direitos do Homem* e do Cidadão (*na acepção geral de humanidade).

Isso foi feito em 1789, encerrando a idade das trevas no ocidente e fundando a sociedade contemporânea. Isso foi feito na Revolução Francesa e só por isso já vale a pena colocar essas três cores no Facebook, em monumentos e onde mais pudermos quando civis daquele país são atacados e mortos por um grupo de radicais islâmicos que quer obrigar o mundo a viver sob os costumes da sua interpretação do alcorão e sem as garantias fundamentais que todo ser humano deve ter.

29.10.15

Governo isolado, oposição sem rumo e a necessidade de haver alternativa

A menos de um ano das eleições municipais, Chapadinha clama por uma alternativa ao que está posto. 

O governo perdido em picuinhas, perseguições e mentiras construiu o isolamento político da prefeita. Ela criou brigas desnecessárias com todo mundo por achar que poderia mandar na cidade como mandava nas suas empresas. Brigou com o governo do estado, com os dois deputados estaduais da região, com o ex-prefeito que a apoiou e até com a presidente da Câmara que ela ajudou a eleger. 

Já são nove dos quinze vereadores a se declarar abertamente fora da base aliada à prefeita (mais um já seria número suficiente para pedir seu afastamento do cargo). Isso sem falar de um sem número de secretários e aliados que continuam no governo aguardando o momento certo para abandonar o barco. Ou a arca. 

Seria até de se duvidar que a prefeita tivesse a intenção de disputar a reeleição, mas, substituindo-a ou não, o grupo que hoje comanda a prefeitura parece apostar na força da máquina e do dinheiro para ganhar a eleição. Estão embriagados pelo poder, sem perceber que ele é passageiro.

Os "cachorros grandes" da oposição, por outro lado, estão completamente perdidos e não é de hoje que eu venho avisando. Motivados majoritariamente por ódio e vingança, seus líderes usam a tribuna da Câmara e os blog's para atacar a prefeita sem apresentar uma proposta concreta para a cidade e, não raro, com o uso de mentiras absurdas.

Falam em licitações como se fossem gastos realizado, anunciam construção de creches na periferia como se fosse erro do governo, comemoram derrotas do município. Já se chegou ao ponto de vereador dizer que iria a Brasília para tentar impedir a vinda do curso de medicina para o município para evitar que a prefeita lucrasse politicamente com a provável vitória que deveria ser de todos. 

Chefiada por quem já comandou prefeituras daqui e das redondezas, essa oposição não pode iludir ninguém. As figuras que a lideram não impõe a obrigação de cívica de união em torno delas, mas de se criar alternativa.

Me dedico hoje à construção de um programa de governo popular para ser apresentado ao povo de Chapadinha por uma candidatura do campo de esquerda. Aprendendo com os acertos de gestões passadas, mas sem repetir seus erros. 

Essa proposta institui a educação pública como prioridade máxima para a construção um futuro melhor e mais justo com um novo modelo que começa pelo Programa de Seleção dos Gestores Escolares, já apresentado por mim na Câmara, mas vai além com o aumento da autonomia pedagógica, administrativa e financeira escolar, com metas nos exames de avaliação, a nucleação do ensino no campo e a constante valorização dos professores, como ocorreu no governo Magno Bacelar, cujo legado positivo precisa ser lembrado.

Esse governo deve ter articulação, preparo e força para trazer obras e recursos federais e estaduais e por em práticas outras propostas já rejeitadas pela atual administração como a entrega da gestão do Instituto de Previdência aos servidores municipais e o orçamento participativo com audiências públicas nos bairros. Assim, o povo não terá tudo o que quer, mas terá aquilo que mais precisar. 

Três deverão ser os princípios fundamentais a orientar o novo governo: Transparência efetiva à administração pública, diálogo permanente com o cidadão e com as entidades da sociedade civil e a não perseguição a adversário (sim, ainda assim, haverá adversários). 

Essas propostas não encontram respaldo nos grupos tradicionais, pois eles formam duas faces da mesma moeda a duelar pelo poder municipal com os mesmos objetivos. Para fazer de Chapadinha uma cidade mais digna para todos, não basta derrotar Belezinha, é necessário derrotar também quem fez e quer voltar a fazer pior do que ela.